23 de maio de 2011

O mapa da pesquisa confiável da internet

Um guia para fugir das ciladas e encontrar informação relevante no universo virtual, com lições sobre o que, como e onde pesquisar ajuda a melhorar a qualidade de suas buscas virtuais.
No início deste ano, NOVA ESCOLA promoveu encontros com um grupo de professores para entender como os docentes procuram informação para suas aulas na internet. De modo geral, os educadores recorreram a dois campeões de audiência. O Primeiro, nenhuma surpresa, é o Google, líder no ranking de sites de busca, preferido por 92% dos usuários Brasileiros. O segundo é a Wikipédia, enciclopédia colaborativa que atingiu, em fevereiro deste ano, a impressionante marca de 17 milhões de verbetes (680 mil deles em português). Em termos de abrangência e agilidade, não há como competir com esses oráculos de vida moderna. Entretanto, quando o assunto é informação confiável, é preciso tomar alguns cuidados — não apenas nesses dois sites, mas em todo o ciberespaço. A seguir, um guia com lições sobre o que, como e onde pesquisar ajuda a melhorar a qualidade de suas buscas virtuais.
Identificar a informação confiável
Algumas pistas que indicam se a informação é digna de crédito estão no próprio texto. A primeira delas: o autor está identificado? Se está, é sinal que ele se responsabiliza pelo que escreveu. Verifique também se a pessoa é especialista no tema. Notoriedade não garante a veracidade, mas transmite mais respaldo ao escrito. Quando o assunto é educação, uma busca pelo currículo acadêmico na Plataforma Lattes (lattes.cnpq.br) ajuda a mostrar o que, de fato, o autor produziu. Outro caminho é verificar o cuidado no uso da língua. “um site que não respeita as regras básicas do idioma demonstra desleixo com a apresentação dos dados”, diz Luciana Maria Allan, diretora-técnica do instituto crescer, em São Paulo, entidade especializada em estratégias de aprendizagem no mundo digital. Confira também as provas de veracidade da informação, que demonstra autenticidade do que se diz: há relatos e testemunhos? Os entrevistados têm nome e sobrenome, ou então escondidos sob expressões como “especialistas afirmam”? Por fim, é preciso atentar a data de publicação. Mesmo acontecimentos históricos estão sujeitos a revisões e novas descobertas, o que pode invalidar explicações antigas.
Avaliar a qualidade das opiniões
Fala-se muito na necessidade de distinguir informação de opinião. Mas, na prática, essa é uma tarefa das mais difíceis, já que a linha que separa uma coisa da outra, na maioria dos textos, não existe. “Quem redige toma decisões em larga medida subjetivas, influenciadas por suas posições pessoais, seus hábitos e suas emoções”, reconhece o Manual da Redação do jornal Folha de São Paulo. Ainda assim, vale evitar textos fortemente adjetivados. Com essa regra, opiniões devem estar baseadas em argumentos e evidências. Perceber os interesses do autor também é fundamental. É ingênuo pensar, por exemplo, que um fabricante de remédios trará dados imparciais sobre seus produtos. Sobre o posicionamento do autor, note o seguinte: ele se distancia das fontes com expressões como “segundo” e “de acordo com”? Abre espaços para opiniões contrárias, contestações e dúvidas sobre as conclusões? Em debates ou em questões não plenamente desvendados pela ciência, isso é essencial.
Questionar o primeiro resultado do Google
Os detalhes de como o Google ranqueia os sites durante uma busca são mantidos em sigilo. Sabe-se  que a lista se baseia numa formula com dezenas de variáveis, como o número de acessos e a quantidade de links apontando para a página. Como a confiabilidade não é uma preocupação central, algumas empresas contratam especialistas em programação para turbinar sua posição na lista. A revista exame de 6 de abril ilustrou essas artimanhas com um exemplo: ao digitar “cirurgia plástica no Google, o site de Ivo Pitanguy — uma das maiores autoridades na área — aparece apenas no final da terceira página de resultados. No topo, médicos em início de carreira e empresas que financiam intervenções estéticas. Moral da história: o primeiro nem sempre é o melhor, muito menos o mais crível. Para encontrar o que deseja, pode ser necessário clicar em vária páginas — ou ainda, refinar a forma como se busca a informação.
Extrair o máximo de sua pesquisa
O próprio Google ensina a sofisticar suas investigações. Na página inicial, se você clicar em “pesquisa avançada”, encontrará opções de busca com todas as palavras digitadas, apenas no idioma escolhido, por tipo de arquivo (.doc, .pdf)  e assim por diante. Na maioria das vezes, não é preciso ir tão longe. Basta digitar as palavras buscadas entre aspas — a pesquisa só trará páginas em que elas apareçam juntas. Para dar uma ideia, os termos Educação especial, sem aspas, retornam 6 milhões de resultados. Com elas “apenas” 1,1 milhão. Outra estratégia é filtrar os resultados pelos sites que você já sabe que são confiáveis. A forma mais simples de fazer isso é digitar a expressão entre aspas e, em seguida, o nome do site. Por exemplo, a busca “Jean Piaget” “nova escola” retorna principalmente reportagens da revista sobre o pesquisador suíço. 
Usar a Wikipédia com sabedoria
Não dá pra ignorar a utilidade da Wikipédia, mas é preciso utilizá-la com cuidado. Como são os próprios internautas que alimentam seu conteúdo e não existe uma checagem oficial feita pelo site, pode haver informações erradas. Para se prevenir, a enciclopédia desenvolveu uma política de verificabilidade, cujo preceito principal é que os verbetes devem conter as referências de onde a informação foi tirada — revistas, jornais, periódicos científicos etc. Quando os artigos não possuem essas citações (indicadas no fim da página como “notas e referências”), internautas podem sinalizá-los com uma marcação antes do texto: “Esta página ou seção não cita nenhuma fonte ou referência.” Olho aberto para artigos com esse e outros símbolos, como “artigo controverso” (para textos excessivamente parciais) e “artigo ou seção que podem conter informações desatualizadas”. Para saber como determinado verbete chegou a sua forma atual, clique em “ver histórico”, na parte superior da tela, onde estão todas as mudanças feitas no texto.
Recorrer a bases e fontes conhecidas
A palavra-chave aqui é a checagem da informação. Se ela esta na base de dados de uma universidade ou faz parte de uma publicação acadêmica, provavelmente, passou pelo crivo de especialistas no tema. Se está num meio de comunicação respeitado, passou ao menos pela checagem do editor. Lúcio França Talles, professor da Universidade de Brasília (UnB), alerta para o uso do popular Yahoo Respostas, em que os textos dos internautas não passam por nenhuma conferência. Melhor recorrer ao Google acadêmico (scholar.google.com.br), que busca resultados apenas em livros e periódicos universitários, ao Scielo (scielo.br) e ao portal de periódicos da Capes (periodicos.capes.gov.br), bibliotecas virtuais com artigos, livros, enciclopédias e obras de referência. Para os alunos, vale indicar a respeitável Enciclopédia Britânnica (escola.britannica.com.br). Não custa lembrar ainda que quando o assunto da busca é Educação, o site novaescola.org.br. é um grande aliado.
Fonte: Publicado em NOVA ESCOLA, MAIO DE 2011

O texto abaixo traz as informações resumidas. 
O MAPA DA PESQUISA CONFIÁVEL NA INTERNET
Guia rápido sobre o que, como e onde pesquisar na internet (adaptado da revista Nova Escola p. 84-87, maio 2011. Ed Abril)
1. Identifique a informação confiável
O autor está identificado? É especialista no tema?
Quando há relatos e testemunhos, os entrevistados tem nome e sobrenome ou estão escondidos sob a expressão “especialistas afirmam”?
Atente para a data de publicação. Revisões e novas descobertas podem invalidar explicações antigas.
2. Avalie a qualidade das opiniões.
Tente distinguir informação de opinião
Opiniões devem estar baseadas em argumentos e evidências
Tente perceber a intenção do autor. É ingênuo pensar, por exemplo que um fabricante de remédio trará opiniões imparciais sobre seus produtos.
Note se o autor se distancia das fontes com expressões como “de acordo com”.
Veja também se abre espaço para opiniões contrárias, contestações ou dúvidas sobre conclusões. Em questões polêmicas ou não completamente desvendadas isso é essencial.
3. Extraia o máximo da pesquisa.
No próprio Google clique em pesquisa avançada.. Ali você encontrará opções com todas as palavras digitadas, em determinado idioma, por tipo de arquivo (.pdf, .doc), etc.
4. Use a Wikipédia com sabedoria.
Pode ser utilizada como ponto INICIAL de uma pesquisa. Verbetes confiáveis devem conter referências de onde a informação foi retirada (revistas especializadas, periódicos científicos) indicados no fim da página como notas e referências”. CORRA ATRÁS dessas referências sempre que possível.
CUIDADO com as expressões: “Esta página ou seção não cita nenhuma fonte ou referência”; “artigo controverso” (para textos excessivamente parciais) ou ainda “ artigo pode conter informações desatualizadas”.
5. Recorra a bases e fontes reconhecidas.
Certifique-se que as informações estão na base de dados de uma universidade ou fazem parte de uma publicação acadêmica, o que significa que passaram pelo crivo de especialistas.
Alguns sites recomendados:
Portal de periódicos da Capes: http://www.periodicos.capes.gov.br/

21 de maio de 2011

Entomologia - entenda mais sobre esse assunto!



Na sexta série estamos lendo o livro " O escaravelho do diabo " de Lúcia Machado de Almeida. 

Trata-se de um livro de suspense e policial, em que a história gira em torno de assassinatos seguidos. As vítimas são todas ruivas legítimas, com a coloração capilar que lembra o fogo. Antes de morrer recebem um estranho pacote embrulhado, que contém dentro um escaravelho e que depois descobrem o nome científico que parece anunciar sua morte. Tudo começa com o assassinato de Hugo. Seu irmão Alberto, estudante de medicina, com a ajuda de Inspetor Pimentel e sub-inspetor Silva resolvem solucionar o mistério. Após o assassinato de seu irmão ocorrem diversos outros assassinatos também praticados pelo "inseto". Em uma de suas buscas pelo assassino de seu irmão e de outros ruivos da cidade Alberto conhece Verônica, uma simpática senhorita que vive na pensão de Cora O'Shea, a partir disto, Alberto se vê dividido entre solucionar o mistério da morte de seu irmão, ou conquistar o amor de Verônica.


Mas a pergunta agora é: será o assassino um entomólogo? Por que todas as vítimas recebem besouros?  Para os que já terminaram: pssshhhhhh!!!!!!! Segredo!


Enquanto isso, abaixo está um texto que encontrei na revista Ciência Hoje falando sobre entomologia. Vale a pena conferir!

Quando crescer, vou ser... entomólogo!
Entenda a formação e o cotidiano dos profissionais que estudam os insetos

Angelo tinha 16 anos quando sua tia o chamou e disse: "Vá procurar o professor Nilton dos Santos. Ele irá contar para você qual é o nome de cada uma das suas libélulas." O garoto, que possuía vários insetos desse tipo, fez o que a tia mandou. Cheio de medo, chegou perto do mestre, explicou o que queria e ouviu uma resposta inesperada: "Eu não vou dar nome de coisa nenhuma", disse o professor. "Você mesmo é que irá descobrir." Angelo, então, voltou para casa com um trabalho sobre libélulas embaixo do braço. Tinha a tarefa de identificar quais eram as espécies dos insetos que havia coletado. No dia seguinte, estava de volta para descobrir seus erros e acertos.
O tempo passou e o garoto que procurou um reconhecido pesquisador de libélulas para saber o nome dos insetos que tinha coletado se tornou professor! Hoje Angelo Machado dá aulas na Universidade Federal de Minas Gerais, é especialista em libélulas (claro!) e seu trabalho consiste, justamente, em identificá-las e classificá-las! "Desde criança, eu queria ser entomólogo, pois gostava de insetos e queria trabalhar com o que gostava", conta ele. Epa! Mas o que é um entomólogo?
O entomólogo é o profissional que estuda um tipo de bicho que a maioria das pessoas detesta: os insetos. Ele pode trabalhar com taxonomia, isto é, identificando e classificando esses animais, como faz o professor Angelo Machado, ou em outras áreas. O entomólogo Anthony Érico Guimarães, da Fundação Oswaldo Cruz, por exemplo, se dedica à entomologia médica, que estuda insetos que transmitem doenças ao homem. "Se uma doença está sendo transmitida por insetos em qualquer lugar do Brasil, nós, da Fiocruz, vamos até lá, os coletamos e identificamos a espécie que está transmitindo a moléstia", explica ele. "Então, definimos quais medidas de controle devem ser tomadas."
Bacana, não é? Mas, acredite: há outras áreas, tão interessantes quanto estas, em que o entomólogo pode atuar. Se quiser, esse profissional pode estudar insetos que transmitem doenças aos animais, as pragas da agricultura ou ainda a ecologia dos insetos. "Neste caso, o entomólogo analisa a relação do animal com o ambiente. Pesquisa onde ele vive, em que época do ano mais ocorre, se tem hábitos noturnos ou diurnos, onde põe ovos, do que se alimenta etc.", conta Anthony Érico Guimarães.
Se essa profissão lhe agrada em cheio e você já pensa em cursar faculdade de entomologia... Melhor mudar de planos! Não, não é para desistir da carreira! Só para buscar o curso certo! Faculdade de entomologia não existe! Para ser entomólogo, é preciso se formar, por exemplo, em biologia e, depois, se especializar em entomologia. Isto é, na parte da zoologia -- a ciência que estuda os animais -- dedicada aos insetos!

Mas caso você curse veterinária ou medicina ainda pode ser um entomólogo. O professor Angelo Machado, por exemplo, se formou em medicina, mas nunca exerceu a profissão. Por anos, deu aulas e estudou insetos como hobby. "Quando me aposentei, passei a estudar entomologia e hoje essa é a minha profissão. Fiquei sem hobby, então, virei escritor de livros infantis", conta ele, que publicou obras como A outra perna do Saci e O casamento da ararinha azul, mas ainda não dedicou um livro às libélulas. Pode?
Claro que isso não quer dizer que o trabalho como entomólogo não o ajude a escrever suas obras! Por conta das diversas viagens que fez pelo Brasil para coletar insetos, o professor teve contato com índios, seringueiros, mateiros. Resultado: conheceu a cultura indígena, mitos, crenças e transformou muito do que aprendeu nas suas andanças como entomólogo em história!
Não pense, porém, que o trabalho de campo é moleza. Para coletar insetos, o entomólogo segue para lugares distantes, enfrenta frio, chuva, falta de conforto e ainda corre o risco de voltar para casa sem ter achado o que buscava! "Por isso, esse profissional precisa ter gosto pela natureza, força de vontade e persistência. Além de curiosidade e vontade de aprender", explica Anthony Érico Guimarães. Para trabalhar com taxonomia, conta Angelo Machado, é importante ter boa memória -- inclusive visual -- e bons conhecimentos de língua estrangeira.
Mas o que fazer enquanto a hora de virar um entomólogo de verdade não chega? Uma dica é seguir a sugestão de Anthony Érico Guimarães. "Procure observar a natureza e não destruir os insetos. Por mais insignificante e repulsivo que eles possam parecer, fazem parte do meio ambiente e, certamente, sua retirada, se não for para estudo, pode causar danos a outros animais. Portanto, preserve."

Mara Figueira, 
Instituto Ciência Hoje/RJ

Fontes: